"she says I've got a way of making everything okay" inst: praqtata
everything is alright
"Acordei pela manhã sentindo falta de algo. Levantei e dei algumas voltas pela casa […] o relógio marcava a hora certa, o cachorro estava correndo atrás do dono, o vizinho regava o jardim, as crianças da rua de baixo estava andando de bicicleta, o café estava frio, a sala estava desarrumada, a TV deixei novamente ligada, a árvore tinha dado flores, o carteiro acabará de deixar a correspondência, as flores em cima da mesa estava em falta de água, o cheiro de que tudo estava normal como todos os dias dominava o ar. Mas não estava certo, faltava algo… algo maior. Algo a ponto de me fazer reprimir de saudade, com a capacidade de me fazer pensar até chorar porque a sua falta aqui me decompunha por completo. Foi quando eu toquei minhas mãos, e em sinal de piedade as juntei firme, fixei e entrelacei meus dedos… Estava errado, e eu descobri o que tanto sentia falta. Suas mãos soavam e ficavam frias quando tocavam as minhas, e a minha manhã nunca foi a mesma sem você… é, faltava você. Ali, bem aqui, ou de vez em quando por lá. Mas perto […]"

Só que… - Talissa Verona, desvairar-me.

"Ele tinha uma vida, ela tinha uma rotina. Ele tinha muitas festas, ela tinha muitos livros. Ele saia todas as sextas, ela dias de sábado visitava os avós. Ele tinha tudo, ela tava construindo algo. Ele era conhecido, ela uma mera “zé-ninguém”. Mas os dois cantavam e junto com Renato Russo sorriam “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?”. Ele tinha ela, e ela tinha ele. E no final, ele poderia ter o mundo e ela nem metade das coisas, mas do que valia se ele precisava só dela e vice-versa? E no final… ele tinha ela, e ela tinha ele. Simples."

Talissa Verona, simples. - Desvairar-me.

"E entre todas as meninas que você conhece, por que justo eu? Não sou bonita, não sou simpática, não tenho o sorriso mais perfeito, não tenho o cabelo mais paparicado, não me visto como uma garotinha meiga, não tenho os melhores gostos musicais, quando eu choro eu faço escândalo, eu tenho muito medo, sou insegura, desconfio até que me provem o contrário. Sou insistente e isso me torna irritante, não tenho milhares de sapatos altos, ou de vestidos fofos, meu corpo não é bonito, não tenho muito senso de humor, geralmente não corro atrás e pra mim amor é pra gente que não sabe das coisas. Sou tão o inverso do que tu merece, esqueço datas especiais, sou teimosa ao extremo e de vez em quando faço um drama lascado. Sempre quero as coisas na minha hora e uma vez ou outra penso muito alto. Sou pessimista demais, exagerada demais, estranha demais, inútil demais, como ainda consegue me aturar? Tenho mais defeitos do que qualidades e não faço o seu estilo. Eu só quero entender, eu sou tão cabeça dura que insisto em dizer que eu não fui feita pra você, e ainda sim como consegue gostar de mim? Tem como me explicar? […]"

Só me diz o que sente de verdade… - Talissa Verona, desvairar-me.

"Aí eu olho para trás e te vejo, dou risada e começo a pensar: “Como pude gostar de algo tão inútil e insignificante? Como pude amar alguém tão canalha e mentiroso?”. E saiba, que a única coisa de que me arrependo do que houve entre mim e você é ter deixado acontecer o “nós”. Somente…"

E de você? Só me resta pena. - Talissa Verona, desvairar-me.

"Não vou ser idiota novamente, quer ficar? Fique. Não quer? Tchau e bença! Não sou palhaço pra ter que te alegrar na hora que tu acha necessário, muito menos “step” pra te servir quando os outros não te quiserem. Minha paciência não é grande, e eu estouro com qualquer deslize. Não sou perfeita e não omito isso, mostro os meus defeitos pra ver se a pessoa aguenta, pra testar os teus limites e depois, caso for necessário, mostro o meu lado bom, pelo qual eu prefiro guardar a oito chaves em um baú enterrado a nove palmos da terra. Sou sarcástica quase que 25 horas por dia, e antes que me perguntem não, não faço isso por diversão ou ganho algo em troca, sou assim merda e ponto final. Na verdade, fui me transformando assim. Cansei de ser trouxa na mão de gente otária. Quer me conhecer? Poxa, bem vindo ao “bonde”, mas será que aguenta uma demonstração do inferno na sua vida? Mas vejamos, não sou lá flor que se cheire mas vocês também não são lá aquelas coisas. Não sou grossa, sou simpática porém isso não é o meu forte. Eu costumo aturar as pessoas, por obrigação! Mas tá, isso não vem ao acaso por enquanto. E se você está pensando que eu sempre fui desse jeito, meio ogro, meio seca, meio na minha. Não, está muito bem enganado. Mas é que a gente aprende com cada filha da puta que aparece na nossa vida, e não tem como escapar, ou você derruba ou é derrubada. A vida é assim cara, e sempre vai ser, as pessoas vão te aparecer e vão escolher entre te deixar ou ficar. Não pense que o mundo gire ao seu redor e que todo mundo vai gostar de você pelo o que você é, nunca vão te machucar, te iludir, mentir pra você, te fazer sofrer, não. Todavia com o tempo aprendemos na marra a lidar com todos esses tipos de pessoa, cada qual com a sua sacanagem. Mas eaí broto, sou uma pessoa legal mas não se confunda com uma idiota. Só pareço ser inocente, mas minha cabeça já é formada o suficiente pra poder te derrubar a hora que eu bem entender. Quer ficar? Fique, não quer? Bem… você sabe o resto."

Gente filha da puta te faz amadurecer caralho! - Talissa Verona, desvairar-me.

"Qual é o teu medo? Me perguntaram uma vez, me questionei durante várias madrugadas e nunca sabia uma resposta concreta. Decidi ir testando os meus limites e ir vendo se tenho algo recíproco por isso. Acabei descobrindo que de altura não tenho medo, de lugares apertados também não. Não vejo terror em palhaços, monstros, dias das bruxas, ou coisa do tipo. Não tenho medo de animais que mordem, picam, batem ou que saiam correndo atrás de mim. Não tenho medo de políticos pegando meu dinheiro, não tenho medo da escuridão, não tenho medo do frio, do fogo, do vento, da água ou da terra. Não tenho medo de palavrões, de ser abduzido e levado para outra galáxia. Não tenho medo. E isso de não ter medo de quase nada acabou me afetando pois me senti estranho, me senti diferente, me senti fora do padrão e um ser inexistente. Me deparei com cenas minhas desesperadas por não ter medo como todos tem, nem que seja da coisa mais inusitada até as mais surpreendedoras. Foi assim, que em uma fração de segundo eu me assustei com a minha sombra, e descobri que entre todos os medos de todas as pessoas o maior estava bem “debaixo do meu nariz”. E que por fim, o meu medo era simplesmente de… de mim mesmo."

Qual é o seu medo? - Talissa Verona, desvairar-me.

"Mas olha só o jeito que ele se veste …” e me deparei com essa frase, te mostrei com um sorriso de orelha a orelha, me orgulhando de cada pedacinho seu, querendo me achar por ter um alguém tão lindo ao meu lado e por fim, te acharam de poucas vestes e sem contexto. Ai eu procurei outras fotos, algumas cartas, mais fotos e mais cartas. Realmente tu não é lá aqueles que se vestem bem, um jeans rasgado, uma meia de cada cor, um sapato qualquer e uma blusa que não lhe aperte tanto pronto, este é o teu guarda-roupa. E este teu sorriso? Amarelo de quem toma muito café, com olheiras de tantas madrugas a só que passou. Certamente tu não é flor que se cheire todos os dias com ar de harmonia, muito menos com simpatia sem ter eufemismo ou algo do tipo. Você não tem “A”quele carro do ano, não tem a casa mais bonita da cidade, não é o cara mais disputado entre as meninas, nem é tão atrativo assim. Sua vida não é a mais organizada, seu rosto não é o mais familiar e os seus modos não são tão corretos. Mas quer saber? Não ligo. Amo tuas caligrafias, amo tuas cartas com borrões de café derramado e orelhas nas pontas. Amo esse teu cheiro de que passou horas deitado no sofá trocando de canal sem o intuito de assistir TV. Amo esse seu sorriso amarelo, sua forma de levar em consideração um elogio abaixando a cabeça e fazendo sons estranhos pela boca. Amo quando ouço buzinadas lá de fora, ou quando me olha com cara de “Tô sem grana pra gasolina” quando peço para ir em algum lugar. Amo o jeito com que escolhe qualquer tipo de roupa, seja lá a época do ano, porque sabe de uma coisa… você pra mim, é lindo de qualquer jeito. Meu Deus, sabe de outra coisa? “Mas só o jeito que ele se veste…” eu não ligo, eu me apaixonei por um desorganizado sem cabeça, me apaixonei por um cara não pelo o que ele tem, mas pelo jeito que ele faz as coisas acontecerem com o pouco que possui. Eu me apaixonei por você, do jeitinho exato que tu és e isso pra mim… Há… isso pra mim não tem gentalha alguma que julgue."

Mas… eu amo a sua bagunça. - Talissa Verona, desvairar-me.

"

“Como você se sentiria se eu escolhesse ir embora?”
E eu já cansei de repetir, já cansei de implorar, cansei de pedir, cansei de gritar pra por favor, não me deixar. Sabe, somos totalmente independentes um dos outros, não precisamos um do outro para respirar, para correr, para viver, para fazer novos amigos. Não precisamos um do outro pra cantar, chorar, rir, cair e seguir em frente. Não precisamos um do outro para poder acordar nem para dormir, para comer, para ver a verdade ou esconder a mentira. Não, eu não preciso de você pra nada disso e nunca vou precisar. Mas a partir do momento em que tu apareceu, nada disso começou a ter sentido, ficar sem você era como ter uma árvore gigante acima da tua cabeça mas ainda sim se sentir exposto ao Sol, ficar sem o teu jeito malemolengo de ser era como não conseguir andar, e já não bastava o tempo em que não nos encontrávamos, esse meio tempo já era o suficiente pra me fazer se sentir um nada, morta, sem chão. Só que é certo de que não precisamos um do outro pra viver, e disso todo mundo sabe (…) mas quem disse que meu coração quer dar ouvidos a isso? que meu corpo responde a todos esses seguimentos? Confesso, tô precisando de você pra mim, só pra mim. E se você for embora, eu ficaria bem meses depois - ou não -, mas até esses meses passarem eu estaria me sentindo incompleta, com uma dor inigualável me matando aos poucos, como se uma parte importante de mim tivesse ido junto contigo. Chorar até me perguntar da onde vem tantas lágrimas, gritar até me estourar as cordas vocais, te pedir até enxergar que você dessa vez não vai voltar mais. Sabe a dor que iria me proporcionar? A dor imunda que iria me domar? Não, não sabe… então por favor, fica comigo, não é pedir demais, não mata, não engorda e nem faz mal. Mas se quiser ir, tudo bem, vou entender que não é comigo que a tua felicidade se encontra, e te deixar livre vai ser o meu objetivo desde então. Mas fica entre nós, eu não quero te deixar livre… quero você pra mim, assim como eu sou tua. Entende como eu me sentiria caso fosse embora? Entende agora? …"

Não quero que vá, só isso. - Talissa Verona (desvairar-me)

"Deixei de escrever minhas prosas do dia-a-dia pra poder relatar o jeito estupefato com que o seu sorriso me deixe a toa e de pernas bambas. Deixei de poder dizer a todos o que sinto quanto a sociedade, para poder dizer a eles e a todo o mundo o quanto venho me apaixonado pelo teu jeito de ser. Não me deixa, não me deixa agora não […] é que deixei de viver uma vida sozinha, sem eira nem beira, com um começo mal feito e um fim supostamente trágico, para poder viver essa vida de subidas e decidas composta por dois corpos, compostas por duas pessoas, um “nós” e não “eu e você”. Não, não vai agora não, fica mais um pouco e me deixa… me deixa sussurrar bem baixinho que não ligo para o que deixei, que preciso de você aqui mais uma eternidade só. Me deixa poder tirar aquele entreaberto cheio de dentes que chega a mostrar rugas na testa, quando eu conseguir poder falar sem gaguejar o quanto eu […] eu am; eu amo você."

Deixei de deixar de querer deixar e passei a te deixar, mas bem perto de mim. - Talissa V. (desvairar-me)

"E tantas pessoas vivem com pressa, vivem aos nervos, aos gritos e outras sozinhas. Tantas garotas querem um príncipe, o novo vestido lançado dias atrás, o sapato mais desejado, um namorado perfeito. Tantos garotos querem aquela garota que se fez de difícil, o ingresso daquele jogo, o carro do ano, a vida desejada. E eu aqui, sem nada nem ninguém, querendo algo que chega me deixar a fazer birra e bater o pé, fazer um bico do tamanho do ego e depois chorar sem concordância com a realidade. Quero sem custo algum, você sem tirar nem por e que se pudesse vir já venha, do jeito que for e estiver. É que de vez em quando eu sinto meu coraçãozinho pedir baixinho “Para de amá-lo assim…” enquanto pela noite minha mente ora “Senhor, cuida dele porque o amo demais!”. Devo estar doente, não? E não é por nada não, mas o único remédio para curar-me dessa tristeza, dessa rebeldia, desse ataques psicóticos, desses choros por pura carência, é você. Não é difícil de entender, vem cá, aqui e bem pertinho de mim, me cuida certinho que te cuido mais “mais que demais”. Poxa, tantas pessoas querendo às vezes por pura vaidade coisas sem receios ou valor sentimental -muitas vezes impossíveis- e eu aqui, querendo você tão perto, e isso não é impossível. Eu te quero, eu te quero mesmo. E se for preciso eu desenho, eu berro e faço mímica desde que você fique comigo. Porque eu amo você… porque eu amo cada pedacinho teu, desde o teu riso ao teu ciúme. Amo de paixão, amo de promessas feitas por mindinhos […] só isso."

Talissa V. (desvairar-me)

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